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Juvenal Felix dos Santos - Entrevista com o músico Juvenal Felix dos Santos.


Juvenal Felix dos Santos

Entrevista com o músico Juvenal Felix dos Santos. (1978)

Juvenal conta que foi com prazer que deu seu violino para o neto, pois já estava prometido, e ele não podia mais tocar, devido a problemas de vista. Disse ao neto que o violino é um instrumento que precisa de dedicação; do contrário, ‘desmente com as corda’ [perde a afinação]. Fala sobre a afinação que usava, que chama de natural, e explica que era relativa [a primeira corda definia a afinação das outras, mas a sua própria afinação podia variar. Provavelmente refere-se ao diapasão]. Explica a diferença entre rabeca e violino: o violino vem de fora, é feito com madeira branca envernizada; e a rabeca é feita em Ubatuba mesmo. Ressalta que, hoje em dia, há equivalência entre as palavras rabeca e violino, mas, no passado, davam nomes diferentes. Ambos têm a mesma afinação. Fala das partes do violino: corpo, ombro, umbigo. Conta como construía o arco: ‘roubava’ crina da cauda dos animais [agradava o animal e tirava] e, como a seda [crina] era viva, tinha de cozinhá-la para matá-la, para, depois, esticá-la [se não cozinhar, não estica]. Diz que ensinou Ricardo Nunes Pereira a fazer dessa forma e afirma que ele faz melhor o violino que o arco. Conta que começou a aprender a tocar com 15 anos com o pai, que era violeiro, e que teve 4 violinos: quando um quebrava, comprava outro – estragava porque ele saía muito na Folia. Fala de seu trabalho na Rádio Gazeta, em São Paulo, provavelmente entrevistas como rabequista caiçara e conta o episódio do dinheiro que ganhou e perdeu. Conversa com a pesquisadora e ambos rememoram as gravações durante a pesquisa de 1959/60, cujo acervo está arquivado na FUNARTE do Rio de Janeiro. Fala de modas, como a gabiroba, vindas de outros lugares (Cunha, Parati), há cerca de 40 anos. Comenta sobre sua família, toda nascida e criada no Puruba; lembrando que não tinha mistura com índios porque naquela época não tinha mais índio (sic). Ressalta a presença de músicos na família, com os quais aprendeu. Explica que a canoa e a ciranda eram do Puruba, que o toque dessas músicas em Cunha é muito diferente – ‘prô caipirado’ – e explica que os caiçaras têm a mão mais solta e que lá não tem violino [com isso, delimita os estilos das duas áreas culturais: interior e litoral]. Vê o violino quebrado de Jovino Leite, que Kilza Setti lhe mostrou, e diz que foi feito pelo Zé do Céu, da Picinguaba - reconhece pelo jeito de fazer; acha que não vale a pena reformá-lo. Fala das partes do violino - rabicho, ‘caravelha’, alma e cabeça – e do formato do violino do Ricardo Nunes Pereira, que tem um ‘bico’ no ‘umbigo’, que ele acha que não deveria ter. Rememora, com a pesquisadora, as gravações feitas 18 anos atrás e comentam sobre como andam as pessoas que gravaram com ele naquela ocasião.

Fonte:

Mais informações:

http://www.memoriacaicara.com.br

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